EMAIL ENVIADO ÀS LISTAS - AINDA SOBRE A VOTAÇÃO NO SITE DA FRATESCHI
From: José Emílio de Castro H. Buzelin
To: Ernesto Paparelli ; Fabio Dardes ; Carlos A. Alvarenga ; Antonio A. Gorni ; Flavio Cavalcanti ; Marco Giffoni ; Marcio Hipolito ; Paulo R. O. Cerezzo ; Renato Gigliotti ;
Ralph M. Giesbrecht ; Thomas O. A .Corrêa ; Otavio Delano Estevanato ; Rodrigo José Cunha
Sent: Tuesday, April 15, 2008 3:18 PM
Subject: Entquete da Frateschi
Prezados colegas,
antes que os distintos amigos percam seu precioso tempo numa votação inútil, gostaria de apontar algumas considerações, as quais dirijo especialmente aos mais jovens:
O modelo em questão é a seguinte locomotiva, segundo as anotações do IGL - Inventário Geral de Locomotivas, desenvolvido desde 1988 por João Bosco Setti e continuado por ele e pela Sociedade de Pesquisa para Memória do Trem, em contínua atualização:
EFVM 8503
.
.
BB36-7
.
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1000
.
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GE-USA / 43245 / 1981.03
.
.
a. Original C36-7 NW 8503 c/ bt. 1435;
b. Renum como NS 8503 em ????.??;
De fato, trata-se de uma ex-C36-7, convertida para BB36-7.
A EFVM adquiriu modelos GE usados.
Vejam um pouco de história:
a página 138 do livro "A E.F.Vitória a Minas e suas locomotivas desde 1904 - Volume 2 - 1947 a 2003" de Eduardo José de Jesus Coelho e João Bosco Setti - editado pela S.P.Memória do Trem em 2003, mostra a incorporação das primeiras B ( atenção a letra é B, do alfabeto: A; B;C;D;E;F;G;H...) 36-7 e que na classificação AAR significa que o truque tem 2 eixos) OU SEJA, originalmente locomotivas modelo B36 e não C36. As B36 originam-se das antigas UXXB. Entre os modelos B e C vai uma diferença de comprimento e outros detalhes.
( sabem como eh, dispois que as escola didática e pedagólgicamente eliminaram as figuras da recuperação e da repetição de ano, somos obrigados a reforssar um bucadim algumas isplicasão, né não mano?)
PRECÁRIA E PROVISORIAMENTE PARA TESTES, as primeiras B36 receberam - repito, para os que não tiverem paciência em ler uma simples página de livro: PRECÁRIA E PROVISORIAMENTE PARA TESTES -SOLUÇÃO TEMPORÁRIA - acho melhor repetir bem esta passagem interpretativa: PRECÁRIA E PROVISORIAMENTE PARA TESTES -SOLUÇÃO TEMPORÁRIA - mais uma vez, não custa nada: PRECÁRIA E PROVISORIAMENTE PARA TESTES -SOLUÇÃO TEMPORÁRIA ; vale a pena repetir AGORA em braile, para aqueles que são os piores cegos que podem existir, os que não querem enxergar: ::.`´:´::....:: ;: ..:: ::.`´:´::....:: ;: ..::. ::.`´:´::....:: ;: ..:: ::.`´:´::....:: ;: ..::. ::.`´:´::....:: ;: ..:: ::.`´:´::....:: ;: ..::.
Como eu dizia, receberam PRECÁRIA E PROVISORIAMENTE PARA TESTES -SOLUÇÃO TEMPORÁRIA , um par de truques C (atenção a letra é C, do alfabeto: A; B;C;D;E;F;G;H... e que na classificação AAR significa que o truque tem 3 eixos)de U20C. Não demorou muito, elas receberam os truques B+B A R T I C U L A D O S definitivos, feitos pela Cruzaço.BITOLA DE UM MÉTRO.
Ok.
Vejam as figuras! Leiam o texto! Meninos: dêem-se ao trabalho de pesquisar - cabeça serve para mais coisas do que usar boné "hang-loose" de abas para trás!!
O modelo proposto pela Frateschi não é O em questão. Mas para aqueles que têm o livro e apenas folhearam, vale a pena verificar e LER as páginas 138 a 144, e ,de preferência, o resto, para ao menos saberem porquê a opção por truques B+B foi adotada.
Em data ainda não registrada pelo IGL , chegaram as C36, ex-NS, fabricadas em 1981. Eu apenas pediria ao meu colega João Bosco Setti que nos ajudasse com maiores e melhores esclarecimentos sobre esta série, que no caso do modelo é identificada pelo número 8503.
Desconheço se a dita locomotiva chegou a receber truques provisórios. Talvez não, sendo logo adaptada para o padrão B+B.
Muito bem. Bela locomotiva, não há a menor dúvida. E mesmo que tenha recebido o truque de C30 acho dificil, já que estas locomotivas vieram com truques 1,435m. Porque, pelo menos no IGL, não há referência sobre alguma destas rodando com truque C definitivo e, se há, não é certamente a 8502. A esmagadora listagem revela todas as registradas: BB para truque 1,00 m - distribuição de potência e peso, dentre outros quesitos.
Justiça seja feita: com os truques B+B abusaram do direito à feiura. Mas aí é uma questão de gosto, que não se discute - apenas lamenta-se!
Como registra a enquete, o ideal seria a concepção do modelo com o truque B+B, bonita ou feia, não interessa. Mas a já velha e já desgastada cantilena da viabilidade econômica , que escuto há 40 anos, volta aos melhores discursos - foi a mesma "inviabilidade econômica" que patrocinou o livro dos 40 anos da Frateschi, pois ele poderia e MERECIA ser um livro DE PRIMEIRA CATEGORIA GRÁFICA . No entanto, foi de primeira categoria econômica...
Vocês sabem, eufemismos dos tempos modernos: não existe caixa-dois e sim capital-não-contabilizado; não existe dossiê mas sim banco-de-dados; a ministra da Igualdade Racial, do PÊ-TÊ, imaginem, confundiu as CORES dos cartões pessoal e corporativo para gastar milhões em o quê não sabemos.
Então falta de disposição para investimento agora chama inviabilidade econômica... Ok
O termo chega para justificar o que não mais se justifica ( há pelo menos 15 anos) quando, na atualidade, os modelos fabricados mundialmente procuram seguir com MÁXIMA precisão técnica e COMPROMISSO temático o que é oferecido aos ferremodelistas sérios que não têm na prática um brinquedão daqueles de rodar no tapete ao lado do carinhoso papai-companheiro, como, aliás, recente e dispendioso investimento publicitário sugere que deve ser o ferremodelismo e que acompanhamos pela mídia. Uma mensagem com atraso de 44 anos, cuja família, nos moldes do ano de 1966, se resume unicamente à figura do pai; a dona-de-casa-resignada-mamãe, que prepara os sucos e lanches para os "homens" da casa, é a mesma que faz companhia à filha, aquela eterna alienada nas bonecas e ambas, que não se atrevam a nem chegar perto dos trens- atenção ferremodelistas papais que têm filhas - desistam, pois a elas e às suas estimadas esposas o hobby-Bolinha é proibido! Faltou o cachimbo.... ah, desculpem, não é de bom tom fumar na frente das crianças... Engraçado... a Mattel, das bonecas Barbies, fatura milhões de dólares, por lançamentos semestrais o suficiente para comprar todas as fábricas de ferreobobos no mundo...)
A oferta da "C30" - entre GIGANTESCAS aspas - da EFVM, é certamente mais uma demonstração clara e crítica de retrocesso, ignorando solenemente tudo que se conquistou em passado recentíssimo com o modelo 2-C+C-2, vagões diversos e os carros PS.
Mas a exemplo do que disse um escritor inglês " mais vale reinar do inferno do que servir no céu".
O "Céu" da V-8 , da Escandalosa, foi uma conquista legítima porém partillhada, diluida na fogueira das vaidades. Foi feito a muitas mãos. Houve ajuda demais... Os holofotes se diluiram...
Fora a palestra para relaxamento de bovinos, o "apelo" comercial da EFVM, conforme bem dito, é puramente comercial.
"WE NEED TO GAIN MONEY - SOMEBODY ALREADY SAID IN SOME PLACE, IN SOME TIME..."
Afinal de contas, para que realmente investir em um modelo B+B se "somente você, caro amigo é que sabe disso, ninguém mais!? Oh, quantas vezes ouvi esta célebre argumentação, pérola das pérolas! .Para que investir em um ferremodelismo profissional, se os garotos de hoje, consumidores de maquete-de-chão querem mais é rodar trem na sala-com-papai-e-vovô
-enquanto-mamãe-de-avental-esfrega a cozinha" e pintar 2-C+C-2 de América Latina Logística? Tudo bem! Uma coisa é uma coisa! Outra coisa é outra coisa, não é mesmo?
Porque depois de 25 anos nesta inútil estrada que percorri e me encontro, conclusão a que chego vem de encontro a pelo menos dois comentários que, afinal ,para mim se revelaram os mais verdadeiros possíveis, ditos por renomados E DEDICADOS profissionais do ferreomodelismo brasileiro: um, do Rio de Janeiro, já diizia que o nosso ferremodelista sabe apenas ver figurinha nas revistas - agora que temos os livros, figurinhas nas revistas e livros; e um, de Belo Horizonte, quando menos sutil, diz que "todo ferrremodelista é bunda-mole!" Porque não sabe VER o que está na sua frente, compra o que aparece e não tem senso crítico do que está comprando! Não sabe ver uma árvore; não sabe que um pôr do sol é amarelo ( ai de quem pintar um céu amarelo em uma maquete!) e certamente, qualquer coisa que ande nos trilhos está bom!
É isto mesmo! E "considerem-se a caminho" aqueles em que a carapuça servir! Prova tal que nos damos o trabalho de discutir o tema em questão. Com raras, porém expressivas exceções sobre as declarações supracitadas, os que não são e jamais foram "Bunda-Mole" há muito, mas há muito mesmo, já inveredaram para quem lhes trata com seriedade e compromisso. Pagar 200 dólares em uma locomotiva Kato ou Broadway, ou quem sabe o absurdo valor de mais de 1200 reais em modelos Rocco, é mais do que adquirir um produto dispendioso - é adquirir algo que respeita a sua capacidade de escolha e conhecimento. Isto vale a pena pagar. Uma embalagem decente, feita com material resistente; manual de instruções e histórico do modelo em escala e do modelo reproduzido; produto COMPLETO na concepção técnica e temática.
Enquanto o ferremodelismo se profissionaliza no mundo todo, aqui estamos virando uma página de um trabalho de anos, de uma geração de praticantes do hobby que JAMAIS colocaram o dinheiro na frente, sem franca ou valorosa renovação. Renovação com quem? A nova geração, salvando poucos, são os "Zé-Bonés" ( os mesmos que chamam de "bauzeiros" pesquisadores ferroviários compromissados com ética e origem de autoria) que já depositaram o seu "sim" vigoroso na enquete. Porque um ferreomodelista sério jamais concordaria com isto...
Prova tal o trabalho de entidades e ferremodelistas brasileiros profissionais dedicados. Colocaram, sim, sua ALMA, seu IDEAL, seu PROPÓSITO, de FAZER A DIFERENÇA e para isto a moeda não foi o DINHEIRO, mas sim, uma coisa chamada HERANÇA DOS ATOS!
Lá vamos nós com a C30 EFVM. Independentemente do resultado da votação, estejam certos, ela vai ser lançada, porque VENDE! Istó é claro se a CVRD não implicar. Eles estão ativos com assuntos de marcas e imagem institucionais.
E por favor não se esqueçam de jogar fora a caixa pois lá não existe qualquer referência sobre BB36 convertida em C30 Frateschi. E se houver, o que for agregado, garanto-lhes, não tem a minha assinatura E COM A GRAÇA DE DEUS jamais voltará a ter!
Votem!
Ah, e não se esqueçam de aproveitar e pedir o modelo "C30-7" 721 que aparece na página 128 do livro - ela é uma ex-B36. Como a nossa FRAT C30 está mais curta, para melhor desempenho nas maquetes "chão-papai" ,ela , com o truque "daszulvinte" vai ficar jóia, porque a B36 real é mais curta que uma C36. E talvez saia até mais em conta, já que o truque em questão já está em produção há anos.
Buzelin
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Frateschi e sua pesquisa
Com a palavra, nosso amigo Buzelin.
Tirem suas conclusões e se quiserem, comentem.
"Paparelli, bom dia,
poucas pessoas neste mundo conseguiram me tirar do sério por tantos anos seguidos. Frateschi tem esta habilidade. A trégua foi saudável mas sem prosperidade, na medida em que ali a relação não estimava pessoas compromissadas com resultados ( mesmo que isto fosse contrário a certos pensamentos e decisões) mas compromissadas com adulações.
Eu não fico calado diante de aberrações e essa história da C30 EFVM , aliás, vem de longa data. Vou agora , mais calmo, explicar o que aconteceu. A você e alguns em cópia.
Estava eu quieto em meu escritório quando recebi, há coisa de quase dois anos, um e-mail dele, me perguntando se eu concordava com o lançamento de uma C30 EFVM,. conforme no livro EFVM2.
Paparelli e demais amigos, confesso que particularmente não morro de amores pela Vale. Acompanhei Setti e Eduardo nas pesquisas e nos trabalhos sobre a EFVM porque ela representa uma ferrovia historicamente consolidada e teve uma longa fase de grande interesse. Para mim a EFVM "morreu" quando abandonou sua identidade original e hoje, você sabe, é uma ferrovia mantida por uma empresa que se considera acima de Deus.
Quando Celso me abordou com a questão, eu fui verificar... não me "lembrava" ( leia-se conhecer) de uma "C30" naquelas condições e assim fui ler com mais carinho o capítulo, para oferecer uma opinião compromissada.
Deparei-me com o que a minha raiva de ontem não me deixou explicar melhor (sei que o texto está uma confusão só ): a referida "C30" do livro e sobre a qual ele se referira é, na verdade ,uma ex-B36, portanto uma ex- UXXB, com truque B. O modelo UXXB (BXX-7) mede 62 pés, enquanto que uma UXXC (CXX-7) qualquer mede 67 pés. Veio com truques B - B de 1435, certamente guardados ou sucateados lá nas oficinas, sei lá que destino tiveram. Certamente não seriam usados, como não foram.
Ao responder ao Celso, sugeri que aquela não era uma escolha adequada, pois se tratava de uma B36, ex UXXB, etc. Retornou-me dizendo que eu olhasse direito porque aquela era exatamente a C30 Frateschi. Dois impactos: primeiro me mandou "olhar direito" o livro que eu participei e ajudeia produzir e o pior: se ele estava chamando a B36 de C30 Frateschi, imagine que nesta hora quase caí da cadeira. Não ttive dúvidas naquele momento sobre o que estava por vi.
Mas insisiti - paciente e calmamente ( parece mentira - imagine: Buzelin calmo é quase impensável...) que ele não considerasse a possibilidade de adaptar a C30 dele nestas circunstâncias, insisitindo até no fato de que ela representava mais um investimento elevado da Frateschi, etc, e não era justo "queimar" o modelo desta forma, etc.
No retorno ele me sugeriu que valia a pena pensar, sim, na produção de um modelo como o da foto, com os truques provisórios de uma U20C. Ou seja: se sabe o que quer, porque perguntou então?
A foto e a locomotiva com truque de U20 somente existiram por dois motivos: primeiro, porque o Setti estava no lugar certo e na hora certa para fotografá-la e, claro, não perderia a chance de publicar no livro, uma interessante curiosidade e, sem dúvida, até mesmo com o foco modelístico. Vocês sabem, nossos livros são voltados também para atender a este viés. O segundo motivo que sabemos é que naquele momento, a Vale cobrava resultados sobre uma solução para estas locomotivas recém-chegadas e assim a equipe da Mecânica da Vale resolveu, para demonstrá-la, ocupá-la com os truques de U20, que foram absolutamente provisórios.
Respondi isto ao Celso. Mais uma vez... Ele me retornou insisitindo que as fotos mostravam que aquela era uma C30 e que eu olhasse as fotos(!?)... Teimosia à parte, disse que ELE com a experiência que tinha, como engenheiro e modelista, não podia confiar unicamente em um par de fotos. E achando que eu detivesse alguma liberdade para lhe perguntar, indaguei-lhe, cá entre nós ,se, de fato, o modelo dele estava fora de escala, principalmente porque ele, Frateschi, estava sugerindo que uma declarada B36 ( apelidada para mal dos pecados de "C30-7" pelo pessoal da oficina, porque ela é uma Dash 7 só que de truque B original 1,435) era a locomotiva dele, "sem tirar nem pôr" (creio que foi esta até a expressão que ele usou).
Esperava uma resposta dele, dizendo que foi obrigado ( pelos motivos da Frateschi que conhecemos e realmente não adianta discutir) a adaptar a sua nova locomotiva para suas curvas. Talvez mais curta, mais alta, sei lá. De fato, uma C30 tem uma base rígida generosa e não é articulada - um artificio - inteligente, diga-se - como o que foi aplicado na V8 não caberia em uma C30, obviamente.
Depois de pronta comparei a C30 dele com a B36 da foto e conclui que o que ele fez foi afinal uma B30 comprida e uma C30 curta.
Enfim, ele poderia ter me respondido com serenidade - de minha parte - e vocês sabem disto - eu seria o primeiro a defender talvez o indefensável, mas em nome não do preciosismo da escala mas do esforço da Frateschi, que jamais deixei de respeitar, apesar dos pesares.
Disse-lhe mais ou menos assim:
"Celso, então me conte: já que você está dizendo conscientemente que a B30 da página 128 do livro é a C30 da Frateschi, ela então seu modelo de C30 deve estar mais curto por causa das curvas, correto?"
Silêncio.
Alguns dias...
Perguntei se havia recebido o meu e-mail.
Respondeu dizendo estar "puto" e que quando eu indaguei sobre estar fora da escala - foram suas palavras - aquilo "fedeu" para ele.
Paparelli e demais: depois de tudo que eu fiz em favor da Frateschi, isto é resposta?
Não tive dúvidas: disse-lhe:
"Celso, o que "fede" aqui é esta sua tolerância com certas pessoas, como um certo cidadão que o cerca, por exemplo, que se orgulha de gerar discórdias e problemas entre todos que encontra. Você me perguntou e eu respondi com minhas convicções. Faça o que bem entender...
Eu o apoio mas não sou vaca de presépio. Se "fede" fazer uma simples pergunta, então as coisas não andam bem. Todas as locomotivas Frateschi foram projetadas para rodar na curva mais apertada. Porque a C30 seria diferente?
( Na época eu mandei para o Thomas esta novelinha - se ele tiver ainda guardado, pode confirmar e corrigir algo - conto como me lembro).
Então é isto.
Muito bem. A Vale continuou a comprar locomotivas usadas e depois então vieram as C36 padrão. Ok, eu não acompanhei isto. Já disse que não me dou ao trabalho de paparicar a Vale. Mas Setti, mais profissional neste sentido, mantém as atualizações.
Soube da enquete e logo me ocorreu que ele faria a tal "C30" B36 a que me refiro acima e a tal enquete é tão legítima quanto a minha farta cabeleira.
Vi e verifiquei que se trata - pela numeração - de uma das "mais novas" C36 convertidas para BB36 e ( felizmente) não a B36 com truque de U20.
Senhores, a Vale optou pelo recurso do truque articulado por diversos motivos. Nem nas B36 ou C36 vale a pena usar os truques originais de 1,435, B ou C, que, além da necessidade do estreitamento para bitola de um metro, os motores de tração em sua configuração nos truques originais não seriam adequados para o perfil de potência necessários para a EFVM naquele modelo e na bitola métrica. Assim, salvo alguma exceção que eu desconheça ( porque não estou convivente com a EFVM), todas estas locomotivas foram convertidas para B+B, ganhando não 4 ou 6, mas 8 motores de tração.
A questão é que as primeiras que eram B36 e não C36, receberam um truque de U20 por "horas", apenas para testes nada mais - talvez nem tenham rodado uma viagem completa - até que os truques da Cruzaço B+B ficassem prontos. E Frateschi queria fazer a "721" com truque de U20. Já estava desenvolvendo normalmente o truque de C30 mas, imaginem, ia lançar uma com truque de U20. Alertei-o para o fato do perigo de queimar o modelo! Daí o que falo no final de minha indignada mensagem. Apesar de tudo, levou em consideração o que eu disse.
Seja como for, o que mais me irrita nesta história não nem a locomotiva em si. Mas o cinismo de uma enquete. Desde quando Frateschi direciona sua produção pelo que os modelistas pedem? Jamais. Palavras dele comigo quando lá estive: " Nada acontece na Frateschi sem um longo planejamento"
Vamos aos fatos: as C30 Frateschi são um fiasco lamentável, se comparadas com outros lançamentos.Colegas de BH comentam que vêem o modelo por menos de 100 reais no Mercado Livre e etc. Airton, se tanto, deve ter vendido umas 100 locomotivas até hoje e cito o Airton porque ele ao meu ver é a maior e melhor loja-termômetro para estas coisas.
Aguardávamos a perspectiva da U23C RFFSA e MRS para corrigir este quadro. Nada até hoje. E ela foi prometida.
A C30 tinha tudo para ser mais bem sucedida do que a V8. Tudo! Por diversos motivos, principalmente por ser a locomotiva da moda, da atualidade. Mais de 500 locomotivas rodam por ai hoje. O Brasil raspou o tacho americano e trouxe quase tudo para cá, senão tudo. Tem C30 para dar, vender e jogar fora. A campeã é a ALL! Porque não foi? Porque a ambição veio primeiro. O espírito do faturamento - a C30 vai vender como água! Será que vendeu?
Será que a U23C não venderia mais? Ou uma GL8? Ou uma EE? Porque as enquetes não existem para estes e outros modelos?
Mas ao invés disso a Frateschi dá demonstração de que quer insistir com essa ridícula versão da EFVM.
Meus amigos: a C30 mais simbólica de todos os tempos é a da EFCarajás. Até no selo dos 40 anos da Frateschi a C30 que aparece é aquela que guarda o grafismo de uma EFC. Até porque foi a primeira em solo tupiniquim.
Conheço pessoas de vulto, dentro da MRS que são ex-CVRD e pessoas da CVRD que já se manifestaram comigo e com a Frasteschi para fazer EFC quando souberam da C30. Nada. Ignorou solenemente.
Em outros tempos, eu afirmaria que a Frateschi estaria fazendo esta pintura para atender à Vale. Mas agora que ela tem nova imagem institucional, este padrão foi francamente "abandondado", em nome certamente da pintura "Banco Real" que vem por aí aos poucos. Então porque arriscar neste modelo, que sequer existe, e ainda submetendo-nos e a si a este ridículo?
Ridículo é o que posso dizer. Tenho dificuldades de associar a figura de Celso Frateschi a isto. Porque apesar do "fedeu", do mal-estar, etc e etc. ele ponderou e tanto o fez que não lançou a aberração de uma C30 com truque de U20. Isto tudo pode estar vindo de uma pessoa que julga seus grandiloqüentes conhecimentos de mercado em cima de sua declarada ignorância em ferreomodelismo. O mesmo que chegou para tantos quantos conhecidos e disse e diz aos quatro cantos que o "negócio é ganhar dinheiro".
Guardem as minhas palavras, para que um dia se revelem erradas, é o que espero. Mas a verdade é que a insistência do patriarca em transferir forçadamente o comando de seu trabalho de 40 anos para seu sucessor, absoluta e declaradamente descompromissado com o ferreomodelismo, fundamentos e lastro ( nada conhece sobre ferrovias e sua história), levará a Frateschi ao ocaso. Guardem com carinho seus modelos e comprem o que tiverem de comprar, porque a continuar neste ritmo, torrando recursos certamente dispendiosos ( não existem muitos "Buzelins" no mundo que fazem quase de graça projetos de design, caixas e embalagens em nome de uma visão maior) em uma propaganda ultrapassada (e até segregadora no tema familiar) , em locomotivas que não existem e em um ferreomodelismo de chão-de-sala, voltado para crianças - honestamente, eu não consigo vislumbrar o mesmo futuro que vi quando a V8 foi lançada. Todo um trabalho de uma SBF, AMF, SMMF e tantos outros, que investiram suas vidas em maquetes espetaculares, tudo isto resumido a um jovem senhor com seu provençal filho, ambos debruçados no chão, rodando trens - desde as priscas eras do ferremodelismo que as primeiras instruções eram: "jamais monte o seu Trem Elétrico no chão..." E no entanto esta foi a garbosa capa do livro dos 40 anos, que se repete na caixa básica que tudo oferece, menos segurança para quem manuseia trilhos de metal e fontes ligadas à rede elétrica. Espero que as banheiras de hidromassagem nas casas mais abastadas não sirvam de cenário de maquete para ver o trem passar dentro dágua, pois nem mesmo recomendações de como usar e os cuidados de manuseio ali existe...
A 2-C+C-2 foi um acidente de percurso - é a triste e decepcionante conclusão que tiro disso tudo.
A C30 traz de volta aquela velha e nada saudosa Frateschi que viceja em seu reinado solitário, intolerante com tudo e todos. Vide Centro-Oeste. Vide cartas a modelistas indignados com erros. E sozinha mesmo, porque tantos quantos já se afastaram. Restaram com todo o respeito que nosmerecem, os "Zé-Bonés" - uma garotada ignorante, ofensiva na internet e debilitada em estudos e na expressão da língua portuguêsa ( não "assento no rabo para falar não" - também erro e bastante!), que entendem de rodar e espalhar trens pelo chão da casa; e os "Bunda-Moles", que acreditam em enquete, votam "sim" para algo que não existe porque tampouco sabem o que estão comprando e tanto faz como tanto fez.
Tanto melhor no final para aquele que acredita que o ferreomodelismo é para ganhar dinheiro. E atire a primeira pedra aquele que achar que o garoto não está certo! Uma belíssima coleção de carros antigos raros e caros e uma mansão de esquina inteira em um bairro calmo e familiar revelam a pura verdade obtido com trabalho e retorno pelo trabalho, não há dúvida.
Nossos ferreomodelistas movidos a idealismo jazem seus dias que lhes restam um pouco mais miseráveis e doentes - refiro-me especificamente a aquele a quem chamo de mestre em minha cidade e por quem nutro carinho e amizade - mesmo diante desta realidade, não abandona nem por um minuto uma maquete que está longe de ser banal.
Ou quem sabe lembrar daquele que por 20 anos uniu as pessoas pelas páginas jornalísticas de uma revista que nos "ouvia" e nos permitia "ouvir" - quando o fôlego se desfez, poucos foram aqueles que consideraram a realidade dos fatos, julgando-o tratante por não cumprir seus compromissos. Compromisso... se houvesse um dicionário chamado Flávio Roseiro Cavalcanti, este seria o único verbete, posso garantir. E no entanto...
Se o dinheiro é então mais importante, era melhor então que a Frateschi fabricasse bonecas para meninas, licenciada da Mattel. Filhas são dóceis, brincam partilhando seus brinquedos, compram bastante quando podem, a ponto de formar coleções inteiras desde os 5 anos de idade e sabem respeitar as maquetes dos seus pais. Até hoje, que eu saiba, só ouvi relatos de filhos que chutam os trens no chão enquanto "papai" brinca depois de chegar do serviço ou colocam em órbita as locomotivas, porque elas se parecem com os aviões do "pouérrangesrs". Claro não quero aqui generalizar.
Como eu disse e afirmo do texto anterior: estou há 25 anos neste inútil caminho. Flávio está aí para não me deixar mentir.
Carro Budd dormitório errado...; C30 EFVM... V8 ALL... O que será que falta vir? G12 com pantógrafo? Ou talvez uma English Electric a vapor...
E N F I M...
Paparelli, deixo-o à vontade com esta carta.
Abraços a todos, com minhas desculpas pelo confuso, irritado e porque não admitir ofensivo texto de ontem. Mas clamo pela compreensão da paciência que chegou ao limite do humanamente tolerável.
Buzelin"
Tirem suas conclusões e se quiserem, comentem.
"Paparelli, bom dia,
poucas pessoas neste mundo conseguiram me tirar do sério por tantos anos seguidos. Frateschi tem esta habilidade. A trégua foi saudável mas sem prosperidade, na medida em que ali a relação não estimava pessoas compromissadas com resultados ( mesmo que isto fosse contrário a certos pensamentos e decisões) mas compromissadas com adulações.
Eu não fico calado diante de aberrações e essa história da C30 EFVM , aliás, vem de longa data. Vou agora , mais calmo, explicar o que aconteceu. A você e alguns em cópia.
Estava eu quieto em meu escritório quando recebi, há coisa de quase dois anos, um e-mail dele, me perguntando se eu concordava com o lançamento de uma C30 EFVM,. conforme no livro EFVM2.
Paparelli e demais amigos, confesso que particularmente não morro de amores pela Vale. Acompanhei Setti e Eduardo nas pesquisas e nos trabalhos sobre a EFVM porque ela representa uma ferrovia historicamente consolidada e teve uma longa fase de grande interesse. Para mim a EFVM "morreu" quando abandonou sua identidade original e hoje, você sabe, é uma ferrovia mantida por uma empresa que se considera acima de Deus.
Quando Celso me abordou com a questão, eu fui verificar... não me "lembrava" ( leia-se conhecer) de uma "C30" naquelas condições e assim fui ler com mais carinho o capítulo, para oferecer uma opinião compromissada.
Deparei-me com o que a minha raiva de ontem não me deixou explicar melhor (sei que o texto está uma confusão só ): a referida "C30" do livro e sobre a qual ele se referira é, na verdade ,uma ex-B36, portanto uma ex- UXXB, com truque B. O modelo UXXB (BXX-7) mede 62 pés, enquanto que uma UXXC (CXX-7) qualquer mede 67 pés. Veio com truques B - B de 1435, certamente guardados ou sucateados lá nas oficinas, sei lá que destino tiveram. Certamente não seriam usados, como não foram.
Ao responder ao Celso, sugeri que aquela não era uma escolha adequada, pois se tratava de uma B36, ex UXXB, etc. Retornou-me dizendo que eu olhasse direito porque aquela era exatamente a C30 Frateschi. Dois impactos: primeiro me mandou "olhar direito" o livro que eu participei e ajudeia produzir e o pior: se ele estava chamando a B36 de C30 Frateschi, imagine que nesta hora quase caí da cadeira. Não ttive dúvidas naquele momento sobre o que estava por vi.
Mas insisiti - paciente e calmamente ( parece mentira - imagine: Buzelin calmo é quase impensável...) que ele não considerasse a possibilidade de adaptar a C30 dele nestas circunstâncias, insisitindo até no fato de que ela representava mais um investimento elevado da Frateschi, etc, e não era justo "queimar" o modelo desta forma, etc.
No retorno ele me sugeriu que valia a pena pensar, sim, na produção de um modelo como o da foto, com os truques provisórios de uma U20C. Ou seja: se sabe o que quer, porque perguntou então?
A foto e a locomotiva com truque de U20 somente existiram por dois motivos: primeiro, porque o Setti estava no lugar certo e na hora certa para fotografá-la e, claro, não perderia a chance de publicar no livro, uma interessante curiosidade e, sem dúvida, até mesmo com o foco modelístico. Vocês sabem, nossos livros são voltados também para atender a este viés. O segundo motivo que sabemos é que naquele momento, a Vale cobrava resultados sobre uma solução para estas locomotivas recém-chegadas e assim a equipe da Mecânica da Vale resolveu, para demonstrá-la, ocupá-la com os truques de U20, que foram absolutamente provisórios.
Respondi isto ao Celso. Mais uma vez... Ele me retornou insisitindo que as fotos mostravam que aquela era uma C30 e que eu olhasse as fotos(!?)... Teimosia à parte, disse que ELE com a experiência que tinha, como engenheiro e modelista, não podia confiar unicamente em um par de fotos. E achando que eu detivesse alguma liberdade para lhe perguntar, indaguei-lhe, cá entre nós ,se, de fato, o modelo dele estava fora de escala, principalmente porque ele, Frateschi, estava sugerindo que uma declarada B36 ( apelidada para mal dos pecados de "C30-7" pelo pessoal da oficina, porque ela é uma Dash 7 só que de truque B original 1,435) era a locomotiva dele, "sem tirar nem pôr" (creio que foi esta até a expressão que ele usou).
Esperava uma resposta dele, dizendo que foi obrigado ( pelos motivos da Frateschi que conhecemos e realmente não adianta discutir) a adaptar a sua nova locomotiva para suas curvas. Talvez mais curta, mais alta, sei lá. De fato, uma C30 tem uma base rígida generosa e não é articulada - um artificio - inteligente, diga-se - como o que foi aplicado na V8 não caberia em uma C30, obviamente.
Depois de pronta comparei a C30 dele com a B36 da foto e conclui que o que ele fez foi afinal uma B30 comprida e uma C30 curta.
Enfim, ele poderia ter me respondido com serenidade - de minha parte - e vocês sabem disto - eu seria o primeiro a defender talvez o indefensável, mas em nome não do preciosismo da escala mas do esforço da Frateschi, que jamais deixei de respeitar, apesar dos pesares.
Disse-lhe mais ou menos assim:
"Celso, então me conte: já que você está dizendo conscientemente que a B30 da página 128 do livro é a C30 da Frateschi, ela então seu modelo de C30 deve estar mais curto por causa das curvas, correto?"
Silêncio.
Alguns dias...
Perguntei se havia recebido o meu e-mail.
Respondeu dizendo estar "puto" e que quando eu indaguei sobre estar fora da escala - foram suas palavras - aquilo "fedeu" para ele.
Paparelli e demais: depois de tudo que eu fiz em favor da Frateschi, isto é resposta?
Não tive dúvidas: disse-lhe:
"Celso, o que "fede" aqui é esta sua tolerância com certas pessoas, como um certo cidadão que o cerca, por exemplo, que se orgulha de gerar discórdias e problemas entre todos que encontra. Você me perguntou e eu respondi com minhas convicções. Faça o que bem entender...
Eu o apoio mas não sou vaca de presépio. Se "fede" fazer uma simples pergunta, então as coisas não andam bem. Todas as locomotivas Frateschi foram projetadas para rodar na curva mais apertada. Porque a C30 seria diferente?
( Na época eu mandei para o Thomas esta novelinha - se ele tiver ainda guardado, pode confirmar e corrigir algo - conto como me lembro).
Então é isto.
Muito bem. A Vale continuou a comprar locomotivas usadas e depois então vieram as C36 padrão. Ok, eu não acompanhei isto. Já disse que não me dou ao trabalho de paparicar a Vale. Mas Setti, mais profissional neste sentido, mantém as atualizações.
Soube da enquete e logo me ocorreu que ele faria a tal "C30" B36 a que me refiro acima e a tal enquete é tão legítima quanto a minha farta cabeleira.
Vi e verifiquei que se trata - pela numeração - de uma das "mais novas" C36 convertidas para BB36 e ( felizmente) não a B36 com truque de U20.
Senhores, a Vale optou pelo recurso do truque articulado por diversos motivos. Nem nas B36 ou C36 vale a pena usar os truques originais de 1,435, B ou C, que, além da necessidade do estreitamento para bitola de um metro, os motores de tração em sua configuração nos truques originais não seriam adequados para o perfil de potência necessários para a EFVM naquele modelo e na bitola métrica. Assim, salvo alguma exceção que eu desconheça ( porque não estou convivente com a EFVM), todas estas locomotivas foram convertidas para B+B, ganhando não 4 ou 6, mas 8 motores de tração.
A questão é que as primeiras que eram B36 e não C36, receberam um truque de U20 por "horas", apenas para testes nada mais - talvez nem tenham rodado uma viagem completa - até que os truques da Cruzaço B+B ficassem prontos. E Frateschi queria fazer a "721" com truque de U20. Já estava desenvolvendo normalmente o truque de C30 mas, imaginem, ia lançar uma com truque de U20. Alertei-o para o fato do perigo de queimar o modelo! Daí o que falo no final de minha indignada mensagem. Apesar de tudo, levou em consideração o que eu disse.
Seja como for, o que mais me irrita nesta história não nem a locomotiva em si. Mas o cinismo de uma enquete. Desde quando Frateschi direciona sua produção pelo que os modelistas pedem? Jamais. Palavras dele comigo quando lá estive: " Nada acontece na Frateschi sem um longo planejamento"
Vamos aos fatos: as C30 Frateschi são um fiasco lamentável, se comparadas com outros lançamentos.Colegas de BH comentam que vêem o modelo por menos de 100 reais no Mercado Livre e etc. Airton, se tanto, deve ter vendido umas 100 locomotivas até hoje e cito o Airton porque ele ao meu ver é a maior e melhor loja-termômetro para estas coisas.
Aguardávamos a perspectiva da U23C RFFSA e MRS para corrigir este quadro. Nada até hoje. E ela foi prometida.
A C30 tinha tudo para ser mais bem sucedida do que a V8. Tudo! Por diversos motivos, principalmente por ser a locomotiva da moda, da atualidade. Mais de 500 locomotivas rodam por ai hoje. O Brasil raspou o tacho americano e trouxe quase tudo para cá, senão tudo. Tem C30 para dar, vender e jogar fora. A campeã é a ALL! Porque não foi? Porque a ambição veio primeiro. O espírito do faturamento - a C30 vai vender como água! Será que vendeu?
Será que a U23C não venderia mais? Ou uma GL8? Ou uma EE? Porque as enquetes não existem para estes e outros modelos?
Mas ao invés disso a Frateschi dá demonstração de que quer insistir com essa ridícula versão da EFVM.
Meus amigos: a C30 mais simbólica de todos os tempos é a da EFCarajás. Até no selo dos 40 anos da Frateschi a C30 que aparece é aquela que guarda o grafismo de uma EFC. Até porque foi a primeira em solo tupiniquim.
Conheço pessoas de vulto, dentro da MRS que são ex-CVRD e pessoas da CVRD que já se manifestaram comigo e com a Frasteschi para fazer EFC quando souberam da C30. Nada. Ignorou solenemente.
Em outros tempos, eu afirmaria que a Frateschi estaria fazendo esta pintura para atender à Vale. Mas agora que ela tem nova imagem institucional, este padrão foi francamente "abandondado", em nome certamente da pintura "Banco Real" que vem por aí aos poucos. Então porque arriscar neste modelo, que sequer existe, e ainda submetendo-nos e a si a este ridículo?
Ridículo é o que posso dizer. Tenho dificuldades de associar a figura de Celso Frateschi a isto. Porque apesar do "fedeu", do mal-estar, etc e etc. ele ponderou e tanto o fez que não lançou a aberração de uma C30 com truque de U20. Isto tudo pode estar vindo de uma pessoa que julga seus grandiloqüentes conhecimentos de mercado em cima de sua declarada ignorância em ferreomodelismo. O mesmo que chegou para tantos quantos conhecidos e disse e diz aos quatro cantos que o "negócio é ganhar dinheiro".
Guardem as minhas palavras, para que um dia se revelem erradas, é o que espero. Mas a verdade é que a insistência do patriarca em transferir forçadamente o comando de seu trabalho de 40 anos para seu sucessor, absoluta e declaradamente descompromissado com o ferreomodelismo, fundamentos e lastro ( nada conhece sobre ferrovias e sua história), levará a Frateschi ao ocaso. Guardem com carinho seus modelos e comprem o que tiverem de comprar, porque a continuar neste ritmo, torrando recursos certamente dispendiosos ( não existem muitos "Buzelins" no mundo que fazem quase de graça projetos de design, caixas e embalagens em nome de uma visão maior) em uma propaganda ultrapassada (e até segregadora no tema familiar) , em locomotivas que não existem e em um ferreomodelismo de chão-de-sala, voltado para crianças - honestamente, eu não consigo vislumbrar o mesmo futuro que vi quando a V8 foi lançada. Todo um trabalho de uma SBF, AMF, SMMF e tantos outros, que investiram suas vidas em maquetes espetaculares, tudo isto resumido a um jovem senhor com seu provençal filho, ambos debruçados no chão, rodando trens - desde as priscas eras do ferremodelismo que as primeiras instruções eram: "jamais monte o seu Trem Elétrico no chão..." E no entanto esta foi a garbosa capa do livro dos 40 anos, que se repete na caixa básica que tudo oferece, menos segurança para quem manuseia trilhos de metal e fontes ligadas à rede elétrica. Espero que as banheiras de hidromassagem nas casas mais abastadas não sirvam de cenário de maquete para ver o trem passar dentro dágua, pois nem mesmo recomendações de como usar e os cuidados de manuseio ali existe...
A 2-C+C-2 foi um acidente de percurso - é a triste e decepcionante conclusão que tiro disso tudo.
A C30 traz de volta aquela velha e nada saudosa Frateschi que viceja em seu reinado solitário, intolerante com tudo e todos. Vide Centro-Oeste. Vide cartas a modelistas indignados com erros. E sozinha mesmo, porque tantos quantos já se afastaram. Restaram com todo o respeito que nosmerecem, os "Zé-Bonés" - uma garotada ignorante, ofensiva na internet e debilitada em estudos e na expressão da língua portuguêsa ( não "assento no rabo para falar não" - também erro e bastante!), que entendem de rodar e espalhar trens pelo chão da casa; e os "Bunda-Moles", que acreditam em enquete, votam "sim" para algo que não existe porque tampouco sabem o que estão comprando e tanto faz como tanto fez.
Tanto melhor no final para aquele que acredita que o ferreomodelismo é para ganhar dinheiro. E atire a primeira pedra aquele que achar que o garoto não está certo! Uma belíssima coleção de carros antigos raros e caros e uma mansão de esquina inteira em um bairro calmo e familiar revelam a pura verdade obtido com trabalho e retorno pelo trabalho, não há dúvida.
Nossos ferreomodelistas movidos a idealismo jazem seus dias que lhes restam um pouco mais miseráveis e doentes - refiro-me especificamente a aquele a quem chamo de mestre em minha cidade e por quem nutro carinho e amizade - mesmo diante desta realidade, não abandona nem por um minuto uma maquete que está longe de ser banal.
Ou quem sabe lembrar daquele que por 20 anos uniu as pessoas pelas páginas jornalísticas de uma revista que nos "ouvia" e nos permitia "ouvir" - quando o fôlego se desfez, poucos foram aqueles que consideraram a realidade dos fatos, julgando-o tratante por não cumprir seus compromissos. Compromisso... se houvesse um dicionário chamado Flávio Roseiro Cavalcanti, este seria o único verbete, posso garantir. E no entanto...
Se o dinheiro é então mais importante, era melhor então que a Frateschi fabricasse bonecas para meninas, licenciada da Mattel. Filhas são dóceis, brincam partilhando seus brinquedos, compram bastante quando podem, a ponto de formar coleções inteiras desde os 5 anos de idade e sabem respeitar as maquetes dos seus pais. Até hoje, que eu saiba, só ouvi relatos de filhos que chutam os trens no chão enquanto "papai" brinca depois de chegar do serviço ou colocam em órbita as locomotivas, porque elas se parecem com os aviões do "pouérrangesrs". Claro não quero aqui generalizar.
Como eu disse e afirmo do texto anterior: estou há 25 anos neste inútil caminho. Flávio está aí para não me deixar mentir.
Carro Budd dormitório errado...; C30 EFVM... V8 ALL... O que será que falta vir? G12 com pantógrafo? Ou talvez uma English Electric a vapor...
E N F I M...
Paparelli, deixo-o à vontade com esta carta.
Abraços a todos, com minhas desculpas pelo confuso, irritado e porque não admitir ofensivo texto de ontem. Mas clamo pela compreensão da paciência que chegou ao limite do humanamente tolerável.
Buzelin"
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